Rui Barbosa: Política e Politicalha

Citação de um dos maiores juristas e políticos que o Brasil já teve, Rui Barbosa. Embora do início do século passado, suas palavras parecem nunca ter sido tão atuais. “A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada”, conclui.

“A política afina o espírito humano, educa os povos no conhecimento de si mesmos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a previsão, a energia; cria, apura, eleva o merecimento. Não é esse jogo de intriga, da inveja e da incapacidade, a que entre nós se deu a alcunha de politicagem. Essa palavra não traduz ainda todo o desprezo do objeto significado. Não há dúvida que rima bem com criadagem e parolagem, afilhadagem e ladroagem. Mas não tem o mesmo vigor de expressão que os seus consoantes. Quem lhe dará com o batismo adequado? Politiquice? Politiquismo? Politicaria? Politicalha? Neste último, sim, o sufixo pejorativo queima como um ferrete, e desperta ao ouvido uma consonância elucidativa.

Política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente. A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou um conjunto das funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.”

 

Escrito por Redação Instituto País Melhor
Publicado no dia 12 de Abril de 2012 na editoria Citações

Um comentário para este post

  1. PAULO TARCISO

    A POLÍTICA E A POLITICAGEM
    Literatura de cordel
    Autor: PAULO TARCISO

    Caros ouvintes vos peço
    Atenção uma vez mais
    Para fazer uma análise
    Creio interessa demais
    O tema é muito importante
    Me escutem por um instante
    E saiba como se faz!

    Política e politicagem
    A prática e a teoria
    A diferença é tão grande
    Chega a gente se arrepia
    A beleza da origem
    É mesmo de dar vertigem
    A prática do dia a dia.

    O pai da ciência política
    Aristóteles é seu nome
    Maquiavel também mostra
    Ao político ou governante
    Como se deve governar
    E ao povo fez ensinar
    Dar “Tchau” ao mau governante.

    A política e sua origem
    Thomas Hobbes avaliou
    Era um absolutista
    Montesquieu inaugurou
    Três poderes Separados
    Pra um governo organizado
    Um grande avanço marcou.

    Para criar nossas leis
    O Poder Legislativo
    Já pra nos governar
    Chama-se o Executivo
    E para a lei aplicar
    Nos temos que convocar
    Judiciário é preciso.
    Em toda sociedade
    Precisa organização
    Um povo, cidade ou Estado
    Ou mesmo em qualquer nação
    E preciso existir leis
    Para governantes ou reis
    Para lhes dar direção.

    Todo poder vem do povo
    E em seu favor deve ser
    Aplicada qualquer lei
    Sem nunca se esquecer
    Dos pobres e desvalidos
    E dos grupos de excluídos
    Que em toda terra há de ter.

    Toda verba aplicada
    Em favor da educação
    Saúde e no social
    Pra toda a população
    Escola é muito importante
    Governo pra ir avante
    Ao professor dar atenção.

    Como disse Maquiavel:
    Um governante pra ser
    Benquisto pelo seu povo
    Com ele vá conviver
    Morar em sua cidade
    Saber das necessidades
    Nunca, jamais, se esconder.

    Eleições com livre escolha
    O povo assim livre é
    Escolhe o que lhe convém
    Que tiver mais fica em pé
    A maioria assim quis
    Pra um governo feliz
    Se for assim boto fé.

    Ninguém deve ser forçado
    A não ser pelo argumento
    Mas sem sofrer ameaça
    De quem tá fora ou tá dentro
    Assim deve ser a lida
    De quem pretende na vida
    Do sacerdócio um instrumento.

    No Estado, os Deputados
    Cidade, os vereadores
    E em toda federação
    Tem também seus senadores
    Para o povo defender
    Os seus reclames fazer
    Ouvir os seus dissabores.

    Toda verba aplicada
    Sem um desvio sequer
    Saúde e educação
    Sempre respeitando a fé
    Sem nunca discriminar
    O povo do seu lugar
    Sem dele arredar o pé.

    Mas isso é só teoria
    A prática é bem diferente
    Começa com na eleição
    Com tanta coisa indecente
    Onde só quem tem dinheiro
    “Tem mais luz no candeeiro”
    Esse sim, chega na frente.

    O que tem boas idéias
    E tem reta honestidade
    Planos bons e competência
    Demonstra capacidade
    Fica sempre a ver navios
    Termina sempre no “frio”
    Ser eleito é raridade.

    Os que ganham com injustiça
    Quando assumem o poder
    Esquecem o que prometeram
    E para contradizer
    Se moravam no lugar
    Vão embora sem avisar
    Pro povo não aborrecer.

    Empregam toda família
    Pelo menos no papel
    Altos salários e só luxo
    Pra o povo só sobra o fel
    Amargar mais quatro anos
    Se arrepender do engano
    Cidade jogada ao léu.

    Para amansar revoltosos
    Um festa vez em quando
    Uma dupla bem famosa
    Uma ou duas vez no ano
    Aí o povo enganado
    Diz: ô prefeito bom danado
    Votar nele é o meu plano!.

    A verba da educação
    Some sem destino dar
    Aumento pro professor?
    É difícil ouvir falar
    Corta é gratificação
    E não dar explicação
    Se alguém quiser questionar.

    Construir boas escolas
    Pra que? diz o seu assessor
    Que por final é de fora
    Que antes aqui não pisou
    - E vai preparar armadilha
    Pra arruinar tua vida
    Não faça assim seu doutor!.

    -Deixa o povo ignorante
    Sem ter boa educação
    Diminui logo a merenda
    Isso é um gasto mesmo em vão
    Dois biscoitos e um suco fraco
    Pouca comida no prato
    É isso aí meu patrão!.

    Saúde é paliativo
    Médico, não tem precisão
    Já tem remédio do mato
    Não vou gastar um tostão
    Contrato uns dois por semana
    Vou investir toda grana
    Pra comprar meu caminhão.

    Pra legalizar o desvio
    Compra a nota fiscal
    Tem gente que vende mesmo
    Nunca vi um se dar mal
    Quando o Tribunal de contas
    Rejeita toda essa “monta”
    Eu dou um jeito legal.

    Compro toda “vereança”
    Você já viu minha gente!
    É mentira o que eu digo?
    É ou não é indecente?
    E se alguém reclamar
    Não chega nem a se irritar
    Pois dar certo, infelizmente.

    Se o governo que saiu
    Fez uma obra bacana
    Que pra nós custou “dinheiro”
    Custou fortuna, uma grana
    O novo governo assumindo
    Vai logo a destruindo
    Jogando tudo na lama.

    Abandona aquela obra
    Para o povo esquecer
    Daquele que construiu
    O nome desaparecer
    Não ficar nem na memória
    Riscando até da história
    E isso faz com prazer.

    Quando o governante assume
    Manda logo ao assumir
    Pintar todo prédio público
    Com a cor que ele decidir
    Apagando o que saiu
    Mesmo a lei não consentiu
    Mas isso faz a sorrir.

    E o pior é o fardamento
    Que logo então é mudado
    E pra quem não votou nele
    Se sente logo humilhado
    Vestir a cor do partido
    Além de ser um vencido
    Tem que ser escravizado.

    Tem governante que obriga
    Nos tempos de eleição
    Funcionário mesmo contra
    Não dar sua opinião
    Inda ter que aplaudi-lo
    E se preciso acudí-lo
    Ainda recebe um “não”.

    É dinheiro na cueca
    Dentro da meia, um milhão
    Na pasta já nem se fala
    Desvio só de bilhão
    E quando tem passeata
    Em vez de jogar na mata
    Levam nas costas o “patrão”.

    Mas a coisa tá mudando
    Mesmo tarde ou devagar
    Não vamos com essas práticas
    Aplaudir ou concordar
    E governo autoritário
    O povo não é otário
    Um dia vai se acordar.

    O Egito deu lição
    Expulsando um ditador
    Vamos usar nosso voto
    E a voz tem muito valor
    Não vamos nos aquietar
    O nosso país mudar
    O nosso tempo chegou.

    Buíque, 13 de março de 2011
    Paulo Tarciso

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